Sobre a Saudade

Não consigo dizer exatamente o que está acontecendo. Não é só comigo, mas com muita gente ao meu redor, tenho visto acontecer mais com as mulheres, mas existem homens sentindo isso também.

Como um resgate.

Pessoas se sentindo tão aprisionadas em seus afazeres, sentindo um desprazer até mesmo de viver.
E com isso voltando a enxergar o mundo ao seu redor. O mundo de pessoas queridas que foram ficando pra trás por causa das escolhas que fizemos. Daqueles amigos  que fizeram parte das nossas vidas em momentos tão cruciais, daquelas amigas pra quem contávamos tudo, das alegrias às desilusões, sobre o encontro da noite anterior, sobre a briga com a mãe, sobre uma nova balada, sobre o CD do Oasis que ia ser lançado, sobre o show do U2 que eu queria ir na sua companhia: Tita. Sobre as viagens... Trindade, São Tomé, prainha. Sobre outras viagens...

Sinto sua falta. Tita, Karina, Gi, Fê, Bia, Dri, Dani, Ana Maria, Flavinho, Alécio, Deo, Paulinho e muitos outros.
Sinto sua falta. Vento, estrelas, verde, Front, sol, som do mar.

Dou risada sozinha quando lembro das trilhas enlameadas pelas quais muitas vezes passamos, daquela lama mole entre os dedos dos pés... De segurar a barraca quando vinha vento noroeste, de correr para não perder o último ônibus ou metrô e de tanta coisa que vivi com vocês.
Também muitas vezes choro sozinha de saudade.

Já me culpei por ter sumido. Por ter seguido a minha vida com marido, filho e trabalho de uma forma em que o tempo era a desculpa para minha ausência. E também por respeito às escolhas que vocês meus amigos, fizeram.

Hoje eu vejo mulheres formarem grupos presenciais e virtuais, com os mais diversos motivos: gestação, maternidade, educação, volta ao trabalho após os filhos, vida em família, divórcio, empreendedorismo. Pessoas que precisam de pessoas. União.

E vejo aqueles amigos queridos que vivem e viverão para sempre nos nossos corações retornando a  presença, se re-unindo e isso me enche de alegria.
Por muito tempo eu pensava que só eu me sentia assim. Distante. Agora vejo que não há mais motivos para me ausentar. Não há motivos para não nos encontramos mais vezes.

Nossas vidas ainda têm muito em comum.

Acho que perdemos tanto tempo. Talvez seja a chegada aos 40 que traz esta reflexão, mas quantas de vocês não se sentiram sozinhas quando seus filhos nasceram e vocês não tinham com quem conversar, ou achavam que não seriam compreendidas por que cada um de seus amigos estavam vivendo as próprias vidas, despreocupados com a sua nova vida como mãe?

Só sei que eu não quero perder mais tempo, já me cansei de correr, correr para chegar a lugar nenhum. 
Estava longe e voltei.
Se é pra ficar, não sei. 
Só sei que sinto saudades de vocês.



Fiota, não posso ficar tanto tempo sem te ver. Te amo. Obrigada.