Através do Yoga, meu propósito.

Tuesday, February 28, 2017
6:48 PM

Quando digo que sou formada em Química, Biologia e fiz Mestrado em Psicobiologia, a maioria das pessoas ficam surpresas e geralmente ouço a frase:
  • Mas trabalha como professora de Yoga? Você é louca?
  • Sim!!! E eu não estou louca, estou apenas despertando.
Dá a impressão que eu não estou usando todo o meu potencial, como se eu tivesse desperdiçado anos de estudo para no fim escolher ser professora de Yoga.
Sinto isso principalmente das pessoas mais próximas, como se fosse uma decepção.
O que as pessoas não sabem é que eu me sinto bem como professora, sim sou professora , sou educadora, não uma instrutora. Pois tudo o que eu estudo e estudei está ligado ao Yoga, inclusive a Química, apesar de não parecer.
Eu sempre amei Ciência, Yoga é uma Ciência. Desde pequena, eu sonhava em ser cientista e gostava de brincar de escolinha. Hoje eu sei que sou uma cientista, nas minhas aulas eu realizo experimentos, falo sobre neurociências, física quântica, lei da atração, sobre o nascimento nos aspectos físicos, emocionais, fisiológicos e espirituais, sobre energia, enfim sobre Ciência.

A Química e a Biologia, foram e são muito importantes na minha vida pessoal e profissional, gostei muito de trabalhar em laboratórios, até chegar o momento que  Yoga chegou na minha vida para ficar.

Dentro de uma indústria, haviam muitas situações que não me agradavam: competições, falta de ética, prazos, horários abusivos com o trabalhador ( mais de 40 horas semanais, que não colaboravam com produtividade), enfim situações em que se trabalhava pelo salário, mas não oferecia muito tempo para viver.

Com as aulas, principalmente no começo, a parte financeira é bem menor, mas a satisfação de trabalhar em prol do próximo é maravilhosa. Hoje eu sei que trabalhar com Yoga me traz muita satisfação e meu horizonte se expande quando eu me vejo buscando outras maneiras de ajudar.
Atuar com o que amo faz muita diferença, eu dou o melhor de mim e nem parece que estou trabalhando. Diferente de trabalhar em uma empresa, onde se é apenas um número que pode ser substituído à qualquer momento, onde se trabalha mecanicamente, onde se torna um "apertador de botão" e na maioria das vezes não se ajuda ninguém, não se faz a diferença na vida de ninguém.

Não é meu mérito que os alunos se sintam bem, que as aulas conduzam ao bem-estar, melhora na saúde física e mental, além de autoconhecimento, não sou eu quem faço isso, eu apenas ministro as aulas, sou veículo e dentro das suas buscas os alunos se transformam e isso é muito recompensador.

Eu vejo hoje uma grande insatisfação nas pessoas, com seus trabalhos  e vida em geral.
As pessoas estão descontentes com as profissões que escolheram aos 18 anos, quando foi passado a necessidade de ter uma profissão, competir no mercado de trabalho, ser bem-sucedido, ter o carro ou a casa X ou Y e hoje passam seu tempo na empresa (que come seu tempo de viver), tristes e estressados seja pela  baixa remuneração, falta de ética, pressão dos prazos ou  produção e falta de autonomia. Principalmente nas grandes cidades, onde horas-extras e transito, aumentam o estresse e reduzem o tempo para viver em família, entre amigos e ter um lazer, ou até mesmo um tempo para não fazer nada.



Acho que isso está começando a mudar, já tenho visto muitas mudanças, muitas pessoas despertando:
  •  Pessoas (insatisfeitas) saindo dos seus empregos e se tornando empreendedores,
  •  Fazendo um sabático,
  •  Mudando de área,
  •  Trabalhando em casa,
  •  Fazendo Coworking
  • Pessoas trabalhando de forma colaborativa, no movimento ganha-ganha, isso é demais!
  •  Uma nova geração de jovens que não se importam em mudar de escolha, fazem seu próprio horário, não seguem hierarquia, nem sempre seguem regras rígidas e mesmo assim são muito competentes
  • Pais buscando formas alternativas de ensino e aprendizagem, para que seus filhos não sejam conduzidos pela escola que fabricam homens que só sabem receber ordens, não dá autonomia por suas escolhas e os transformam em consumidores do próprio sistema,
  • Mulheres e famílias buscando a melhor forma de trazer seus filhos ao mundo através de informações baseadas em estudos científicos e vivências de seus antepassados (não importa se o nascimento será de parto normal, natural, através de cesárea, em hospital, em casa de parto ou em casa no quintal) o importante é o empoderamento, o respeito e o amor.
  • Uma busca por autoconhecimento através de PNL, coach, Física Quântica entre outros métodos Holisticos ( hoje muito difundidos)
  • A expansão do conhecimento e prática da Meditação em todos os níveis até mesmo em grandes corporações (com o objetivo de melhorar o desempenho, performance, produtividade e criatividade)
  • A aceitação do Mindfulness como prática de Atenção Plena e Terapia em hospitais renomados no Brasil e no mundo.
  • Ampliação de Práticas Integrativas como Musicoterapia, Reiki, Acupuntura, Meditação pelo SUS.
  • Mulheres, homens, idosos, crianças, gestantes e puérperas com seus bebês praticando Yoga.
  • Feiras de trocas, favorecendo a sustentabilidade.
  • Alimentos orgânicos em maior escala, mais acessíveis.
  • Comunidades sustentáveis sendo criadas.

Além de outras tantas coisas bonitas que me fazem acreditar na Vida e na Humanidade.


Se eu estou desperdiçando anos de estudo e meus talentos?
Não. Eu estou a cada dia vivendo meu propósito e se eu pudesse lhe dar um conselho, diria:
  • Descubra o seu propósito, seus talentos naturais e viva-o. Saia da normose.
  • Descubra para que você veio ao mundo. O que você faz de melhor? O que você faz de legal, que você nem percebe o tempo passar? Esta atividade beneficia você e outras pessoas? Você se sente bem ajudando? Você poderia trabalhar com isso por hobby ou profissionalmente?


Descubra quem você é. Será libertador!!


Com amor.

Ana Paula Amorim


 *Normose: Segundo o querido Professor Hermógenes, normose é uma doença, a doença de ser normal ( fazer aquilo que todo mundo faz). Deus me livre de ser normal!!

Um comentário:

  1. Amei o texto, é encorajador e nos traz uma reflexão sobre a vida que estamos vivendo...esses atos automáticos nos faz perder o exercício de olhar pro próximo e para nós mesmos.
    Obrigada pela contribuição!

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